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Padrões espaciais e temporais e fatores associados à mortalidade por doença de Chagas no Ceará: um estudo ecológico

Por: LARA LÍDIA VENTURA DAMASCENO

17 de março de 2026

Objetivo: Descrever o padrão temporal e espacial da mortalidade por doença de Chagas no Ceará no período 2002-2022. Métodos: Trata-se de estudo ecológico, que considerou o Ceará, suas macrorregiões de saúde e municípios como unidades de análise, com base em dados secundários do Sistema de Informação sobre Mortalidade. Realizou-se análise temporal, para o cálculo da variação percentual anual, bem como os indicadores de autocorrelação espacial (índice de Moran global e local, Getis-Ord Gi* e varredura scan). Os indicadores foram inseridos em modelos de regressão não espacial e espacial. Resultados: Foram notificados 1.041 óbitos, com taxa de mortalidade média de 0,57 óbito/100 mil habitantes. O Cariri (35,45%) e o Litoral Leste (23,05%) destacaram-se nas notificações, enquanto o Litoral Norte resguardou maior taxa de mortalidade (2,15/100 mil habitantes). Houve aumento significativo nas taxas de mortalidade pela doença no Litoral Leste e no Sertão Central. Foram observados coeficientes elevados para os índices de Gini (9,6; p-valor<0,001) e de desenvolvimento humano municipal (17,1; p-valor<0,001), o que sugeriu que áreas com maior desigualdade de renda e menores índices de desenvolvimento humano são impactadas em maior proporção pela mortalidade por doença de Chagas. Áreas de alta mortalidade tendem a estar próximas de outras áreas também com altas taxas de mortalidade. Conclusão: Identificaram-se áreas de maior risco, especialmente nas macrorregiões Litoral Leste e Sertão Central, enquanto outras regiões apresentaram estabilidade ao longo do período. Os modelos espaciais apontaram influência por fatores como desigualdade de renda e desenvolvimento humano. Palavras-chave: Doença de Chagas; Mortalidade; Indicadores Demográficos; Análise Espacial; Estudos Ecológicos.